A minha experiência com leitura e escrita foi mais consistente por volta dos 10 ou 11 anos. Passei a ler cada vez mais e sentia evolução quando escrevia algo. Toda minha conversa interna era na leitura. Todos os anseios de um jovem e a dificuldade em expressar sentimentos eu podia amenizar mergulhada nos livros.
Tenho alguns marcos que me incentivaram a ler mais. Primeiro meu pai. Quis o destino que nosso encontro não fosse em meu nascimento. Tardiamente meu pai surgiu na minha vida. Mas ainda em tempo! E me deu de presente o gosto pela leitura e o incentivo a conhecer nossos escritores brasileiros.
Li tudo que se pode imaginar dos nosso principais escritores. Principalmente que para o vestibular, devorava a lista dos 10 livros indicados. Capitães da Areia foi meu favorito, pois este é o favorito de meu pai. Li e reli 2 versões. Marcou.
Nessa mesma época, em Curitiba, minha cidade natal, surgiram várias bibliotecas nos bairros, denominadas Farol do Saber. Havia um na rua de trás de casa. Virei rata de biblioteca. Havia uma disputa com meus irmãos para ver quem lia mais. A carteirinha mais cheia! Olhinhos brilhavam em frente às prateleiras. Inesquecível.
Nossa coleção favorita infelizmente não lembro o nome, mas eram livros que podíamos escolher o caminho da leitura e mudar a ordem das páginas. Alguns eram de ficção e liamos no final de semana, um por noite, conforme a escolha no Farol.
E minha relação com a escrita partiu destas leituras. Sempre tive gosto por fazer bem o que era solicitado nas tarefas escolares. E para o vestibular não tinha escolha. Tinha que treinar e escrever rápido, resumido e coerente.
Foi então que um certo rapaz me deixava intrigada com sua forma de escrever. Era bom o rapaz! Trocamos cartas por uns 3 ou 4 anos. E no início eu não podia acreditar que ele escrevia aquelas lindas páginas de uma vez. Sem rascunho prévio, poucas rasuras e nenhum erro de português. Como podia?
Compreendi então que deveria escrever o que pensava, sentia e com confiança. Até então, estava numa situação descrita por Moacyr Scliar em seu depoimento: "a cesta de lixo é a grande amiga do escritor". E no meu caso era por dificuldade mesmo...
Cartas de amor foram meus melhores textos. E nenhum torpedo ou sms.
Na minha opinião livros são um universo paralelo. Amo, não resisto. Persisto.
Foi realmente maravilhoso relembrar tudo isso. Obrigada!! Jaqueline.
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